"Pinóquio" , o novo remake da Disney, não contém a magia do longa original

                                       Divulgação: Disney

     Disponível exclusivamente no Disney+, o novo live-action do estúdio tenta ser inovador, mas falha ao não capturar a essência da animação

    Já faz alguns anos desde que a Disney começou a produzir remakes de suas animações clássicas. Eles a recriam de uma maneira "real", ou seja, com atores carne e osso, e conquistam o público graças a nostalgia. "A bela e a fera", "Cinderela" "Mogli- o menino lobo" e "Aladdin" são alguns dos live-actions que conseguiram ter o brilho da animação e ainda ter ideias originais, claro que uns com mais êxito que outros. "O rei leão" foi aquele que menos tomou riscos, ao mesmo tempo que mais foi realista, pois ele foi totalmente fiel a historia da animação. e teve os animais feito de cgi extremamente  real, a ponto de terem nenhuma emoção. O filme na época foi duramente criticado, mas como fez sucesso nas bilheterias, isso não incomodou o estúdio.
      Porém, quando lançaram o remake de "Dumbo", dirigido pelo Tim Burton, ele não foi bem comercialmente, e isso provavelmente fez a Disney pensar que nem todo live-action servia para ser lançado no cinema. E como no mesmo ano eles lançaram no Disney+ o remake de "A dama e o vagabundo", ele perceberam que valia a pena investir em filmes no streaming, como o caso de Pinóquio, que inicialmente iria para as telonas. O filme foi anunciado em 2015, e desde então passou por três diretores diferentes para comandar o projeto. O escolhido foi o Robert Zemeckis, diretor de "De volta para o futuro" e "Forrest Gump".
    
Tom Hanks no novo filme da Disney

    A história de Pinóquio, que eu imagino que a maioria conheça, é sobre um boneco de madeira construído por Gepeto ( interpretado por Tom Hanks, que já trabalhou com o diretor em Forrest Gump), que deseja se tornar um menino de verdade, mas para isso, precisar se mostrar merecedor para a Fada azul ( interpretada por  Cynthia Erivo). É uma premissa simples, mas parece os realizadores viram necessidade de complicar ao que já estava bom, pois a própria Fada azul tem praticamente nenhuma importância para a história, ela só aparece para dar vida ao Pinóquio, e nunca mais volta. 
      A animação mostra que para o Pinóquio se tornar um menino de verdade, ele precisa ser honesto, corajoso e bom, e essa é a sua trajetória na trama. Aqui, o caminho é outro, pois ele parece saber de tudo, não precisa aprender nada, até pode ter momentos em que ele coloca sua moral para jogo, onde a sua consciência, o Grilo falante (com a voz do ator Joseph Gordon-Levit), tenta guia-lo, porém esse não é o foco. O filme tenta repaginar a moral da história, fazendo o questionamento "O que faz alguém ser um menino de verdade?". Eles tentam  mostrar que o Pinóquio já tem o coração de um menino real, e se transforma em um, por carne e osso, não  seria necessário. Seria bem bonitinho, se isso não tirasse toda a graça que tinha a animação.
      Claro que não se pode avaliar a qualidade do longa vendo se ele honra ou não a estrutura original, mas infelizmente esse filme possui outros defeitos. Uma trama chata, que não consegue envolver o espectador é um deles, pois eles enrolam tanto para as coisas acontecerem, que fica cansativo. Eu admiro os roteiristas de tentarem criar novos personagens e novas narrativas para se diferenciar do filme de 1940, mas é tudo muito esquecível, mesmo que seja legal por algum momento. O diretor parece querer fazer algo moderno aqui, colocando diversas referências aos clássicos do estúdio ( vários relógios do Gepeto eram de personagens da Disney, o que eu achei brega, foi mal) e uma piada sobre o Chris Pine (isso, você não leu errado), mas no fim não funciona. 
       Algumas semanas atrás, houve uma discussão na internet sobre se os efeitos especiais afetava totalmente a qualidade do longa, e aqui pode apostar que sim. Muitas vezes o cgi não convence, principalmente o Figaro, o gatinho do Gepeto. Ele não era do tamanho proporcional ao de um gato, parecia ter saído da mesma equipe que trabalhou em "Cats", e com certeza foi o  que mais me incomodou no longa, pois eu pensei nele durante todas 1h40min de filme. 
      Mas isso não significa que seja um desastre completo, pois todo o elenco está ótimo, gostei muito do trabalho do Benjamin Evan como Pinóquio. A trilha sonora de Alan Silvestri é incrível, e as novas músicas são bem legais, mesmo que não sejam marcantes. E tenho que admitir: amei a Cynthia Erivo cantando "When wish upon a star".

Grilo falante no live-action de Pinoquio


       Ver o resultado final do longa faz eu pensar que provavelmente boa parte do público já esteja cansado de ver obras idênticas ou que seja uma ofensa as obras originais. A verdade é que já perdeu a graça e saturou, até quando a Disney vai ficar nessa nessa palhaçada para suprir a audiência com o mais do mesmo e mostrar que está sem nenhuma ideia nova? Bem, essa fase ainda deve durar bastante, já que o estúdio terminou de gravar os de "A pequena sereia" e de  "A Branca de Neve e os sete anões", e  anunciou um diretor para o de "Hércules", o Guy Ritchie. Mas se você estiver curioso para ver outro longa dessa mesma história, no final do ano, a Netflix irá lançar uma animação em stop-motion dirigida por Guillermo Del Toro, que promete ser bem diferente a visão romantizada da Disney. 

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