"Pantera Negra: Wakanda para sempre" carrega uma grande homenagem ao Chadwick Boseman



Divulgação: Disney

                 Novo longa da Marvel honra o legado do ator, mas não deixa de abraçar o futuro da franquia


         Em 2016, a Marvel introduzia pela primeira vez em seu universo cinematográfico o personagem T´Challa, que logo em "Capitão América: Guerra civil" assumiu o manto do Pantera Negra. Somente em 2018 é que o estúdio lançou o filme solo do personagem, que se tornou um dos maiores sucessos da Marvel. O longa conquistou o público e a crítica com um antagonista carismático e uma trama bem desenvolvida, e logo foi bem nas bilheterias e até ganhou espaço nas premiações- foi o primeiro filme de herói a ser indicado ao Oscar de melhor filme. Depois de todo esse sucesso, era óbvio que uma sequência seria encomendada pelo estúdio. Porém, em 2020, quando o diretor e roteirista Ryan Coogler terminou de escrever o roteiro da continuação, o ator Chadwick Boseman faleceu em decorrência ao câncer de cólon.
              A morte do ator pegou todos de surpresa. Ele estava batalhando contra o câncer desde 2016, e decidiu esconder da mídia para poder aproveitar os últimos anos de vida ao lado da família e atuando.  A Marvel decidiu tomar uma decisão que ao mesmo tempo que era respeitosa, era considerada arriscada: matar o personagem e reescrever todo o roteiro da sequência. O longa mostra rainha Ramonda, Shuri, M'Baku e Okoye lutando para proteger sua nação após a morte do rei T'Challa, E enquanto isso, eles precisam forjar um novo caminho para o reino de Wakanda.

O novo Pantera negra

                Mesmo o luto sendo algo recorrente da trama, o filme não foca só nisso. Uma das grandes discussões do longa é a tradição contra a modernidade. Wakanda é uma nação com uma cultura muito rica, eles não veem a morte como o fim. Em contra partida, é um país muito desenvolvido tecnologicamente. Então o filme segue com esse conflito de personagens que acreditam que o país precisa continuar fiel as suas tradições, como a rainha Ramonda, e à aqueles que acreditam que a tecnologia deve prevalecer, como a Shuri. Na verdade, a Shuri é uma personagem central para a historia, já que ela passa pelo dilema sobre se eles realmente precisam de um novo Pantera Negra. 
                 Colocar a Shuri para assumir o manto é uma escolha óbvia, pois além dela ser a herdeira, ela já foi o Pantera nos quadrinhos. Porém, isso não foi o suficiente para fazer a trajetória dela interessante. Ela passa por dilemas parecidos com os que o T'Challa passou para assumir o manto: luto, desejo por vingança, até reconhecer que é preciso fazer o certo, e mesmo assim não é algo atrativo. Não sei se foi culpa da atriz, Letitia Wright, ou se foi culpa do roteiro. Sinto que ela é uma daquelas personagens que possuem um brilho maior quando são coadjuvantes, e que não consegue segurar a trama quando é passado o destaque para ela. E sinto também que os roteiristas também sentiram isso, senão não teriam feito aquilo na cena pós-créditos (quem viu, sabe).
                 O grande antagonista do filme, e uma das melhores coisas dele, é o Namor, interpretado pelo Tenoch Huerta. Ele lembra um pouco o antagonista do primeiro filme, o Killmonger, pois o Namor quer proteger o seu povo na medida do possível, nem que seja preciso entrar em guerra com o povo da superfície, ou até mesmo atacar Wakanda. Ele foi bem construído ao longo da  trama, tirando alguns momentos, como aquele em que ele explica como ganhou seu nome ( me lembrou o filme do Han Solo mostrando como ele ganhou esse sobrenome). Outra coisa que não ficou tão legal foi como ficou seu reino Talokan. Gostei da cena de introdução e quando Namor mostra o lugar para a Shuri, mas parece que o reino não tinha brilho, até porque as cenas estavam escuras e acabava tornando o lugar sem graça.

Namor

 
                    Outra personagem introduzida no filme foi  Riri Willians, a Coração de Ferro. Ela até pode ser divertida, mas sofre um pequeno problema na sua adaptação: ela tem a mesma personalidade do Peter Parker daquele universo cinematográfico. Desde fazer piadas relacionadas a cultura pop, a ser uma nerd que não quer faltar a aula para se meter em aventuras heroicas, ela parece uma paródia dele. Isso piora quando se percebe que nos quadrinhos, a Riri herda o legado do Tony Stark, e nos filmes inicialmente, fazem o Peter herdar. Claro, muito disso é problema da própria adaptação do Homem Aranha para o universo compartilhado, porém espero que a série da Coração de Ferro para o Disney+ consiga mudar essa sensação que o filme deixou.
                    E a sub-trama do agente Ross e da Val parece muito desconexa do filme. Se eles não estivessem no longa, não faria diferença para a historia. Aliás, a Val com pouquíssimas aparições no universo da Marvel já enjoou. Ela só seve para deixar bem claro que o filme do Thunderbolts está vindo em breve. Pelo menos, os outros coadjuvantes são interessantes, Lupita Nyong'o e Angela Bassett estão ótimas como Nakia e Ramonda, respectivamente. O figurino e a trilha sonora são alguns dos grandes destaques do longa, assim como foi com o primeiro filme. E as cenas de ação são superiores as do primeiro.

Nakia

                 No fim, o longa pode não ser superior ao seu antecessor, porém é um alivio depois de tantos filmes fracos que a Marvel vem lançando. Além disso, foi um filme sensível ao lidar com uma perda que não só os fãs sentem, mas como os atores e o diretor também, e eles fazem uma linda homenagem ao Chadwick, não tem como não se emocionar com o final.

               

Comentários