Filme adapta musical da Broadway e conta com o retorno de Tina Fey, roteirista do longa original
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| Divulgação: Paramount |
Todo mundo já ouviu falar de alguns estereótipos dos adolescentes do ensino médio. Existem os rebeldes, os atletas, os rejeitados, os nerds, e claro, as patricinhas. Esses estereótipos também estiveram presentes em Hollywood, como em "Clube dos cinco", "Namorada de aluguel", "10 coisas que eu odeio em você, "American pie". Alguns filmes chegavam a brincar com esses estereótipos, como "As patricinhas de Beverly Hills" e "Atração fatal", porém em 2004, surgiu aquele que mudaria esse gênero para sempre.
Tina Fey, roteirista e comediante, decidiu adaptar para as telas o livro "Queen Bees and Wannabes", escrito por Rosalind Wiseman, que se trata de um manual sobre relações de poder na escola e como lidar com essa realidade. Com a atriz Lindsay Lohan como protagonista, a trama de "Meninas malvadas" mostra a adolescente Cady Heron passando a frequentar a escola pela primeira vez após se mudar da África e recebe uma rápida introdução as leis de popularidade que dividem seus colegas. Ela acaba se metendo em uma confusão envolvendo andar com o grupo das patricinhas e se apaixonar pelo garoto errado. A produção foi um sucesso de público e crítica, e logo se tornou um clássico graças ao seu roteiro divertido e bem desenvolvido, elenco carismático, e claro, uma antagonista brilhantemente interpretada pela Rachel McAdams, que marcou uma geração na pele da Regina George.
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| Chabert, McAdams, Lohan e Seyfried como Gretchen, Regina, Caden e Karen, respectivamente |
Depois do sucesso no cinema, Tina Fey se uniu com o compositor Jeff Richmond e a letrista Nell Benjamin para levar "Meninas malvadas" para a Broadway, o que só se concretizou em 2017. O musical também foi bem aclamado, chegando a receber 12 indicações ao Tony Awards, maior premiação do teatro. Claro que a Tina Fey não iria sossegar depois de mais um grande feito, então ela decidiu levar o musical para as telonas. Fey volta não só para o roteiro, mas também para o elenco, interpretando a Srta. Norbury, professora de matemática, personagem que a comediante interpretou no longa de 2004. Tim Meadows, que também estava no elenco do original, reprisa seu papel como Sr. Duvall, diretor da escola. A grande surpresa e alegria para os fãs do musical do musical é a atriz Reneé Rapp como a Regina George, papel que ela havia interpretado nos palcos em 2019. Porém, o marketing dessa adaptação tomou uma decisão ousada em esconder do público que essa era uma versão musical da historia de 2004. Segundo o presidente de marketing global da Paramount, Marc Weinstock, a decisão se deve pelo fato das pessoas tratarem musical de maneira diferente, o que atrai menos espectadores.
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| Bebe wood, Reneé Rapp e Avantika como Gretchen, Regina e Karen, respectivamente |
Um dos problemas do longa se deve justamente ao fato da adaptação se perder em relação ao que funciona no teatro e no cinema. Algumas cenas ficavam presas ao estilo teatral e não aparentavam ser bem dirigidas. As melhores partes eram justamente aquelas em que a produção parecia comprar a ideia do irrealismo do musical e tentava transmitir a mágica que esse gênero carrega. Muitas vezes, o filme usava a tecnologia ao seu favor nesse sentido, fazendo algumas cenas como se fossem os personagens gravando um vídeo para o Tik Tok, utilizando o rápido alcance das redes sociais para mostrar o impacto na vida dos personagens. Às vezes essa ferramenta extrapolava no uso, mas não chegou a ficar repetitivo.
No geral, os números musicais ficaram contagiantes, e isso não se deve somente à direção seguir pelo rumo certo, mas também pela encantadora trilha sonora, com destaque para as músicas , "Apex Predator" cantada pela Aulií Cravalho e pelo Jaquel Scivey, a Janis e o Damian, respectivamente, e "World Burn", cantada pela Reneé Rapp, a Regina George.
O grande destaque do elenco continua indo para a intérprete da antagonista. Rapp é carismática na medida certa e consegue impactar somente com a sua imponente presença na tela. Ela também trabalha bem com as vulnerabilidades da Regina George, a ponto de nos sentirmos mal pela personagem, mas não a ponto de inocentá-la. Outro grande destaque do elenco foi a Auli´i Cravalho como Janis, amiga da Cady que a ajuda a se infiltrar no grupo das patricinhas. A Auli´i rouba a cena com seu carisma e performances musicais incríveis, sendo mais interessante que a versão original. Damian, outro importante amigo da Cady e interpretado pelo Jaquel Scivey, é tão divertido quanto no clássico de 2004. A Gretchen de Bebe Wood tem um desenvolvimento melhor e é mais interessante do que a do original e a Avantika como a Karen é engraçada e cantou bem em seu número musical de halloween, "Sexy", porém às vezes exagerava na sua atuação do estereótipo de garota burra que beirava ao irritante.
Mesmo com um elenco tão certeiro, a produção conseguiu errar justamente nos dois personagens mais importantes da historia. Christopher Briney, intérprete do Aaron Samuels, garoto da escola que a Cady e a Regina disputam, tem o carisma de uma porta, mesmo que ele seja bem escrito, não consegue encantar. Já a Cady, interpretada pela Angourice Rice, é prejudicada pela trama. No longa de 2004, ela é a narradora, então conseguimos nos conectar melhor com ela. Nessa versão, ela não possui números musicais marcantes e acaba ficando apagada, pois a atriz também não consegue segurar as pontos. Eu até senti falta da versão da Lindsay Lohan.
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| Jaquel, Rice e Auli´i como Damian, Cady e Janis, respectivamente |
Essa não é uma adaptação perfeita e nem supera o original. porém é divertido e faz homenagens bem legais a versão de 2004 (quem assistiu o filme sabe do que eu estou falando) e mostra o porquê dessa historia ter ultrapassado gerações e ter envelhecido tão bem: personagens cativantes, roteiro afiado na medida certa e uma trama que consegue se comunicar muito bem com o público.
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