Longa estrelado por Tom Cruise demora para pegar o ritmo, mas se encontra durante as cenas de ação
 |
| Divulgação: Paramount Pictures |
Baseado em uma série dos anos 60, em 1996, o diretor Brian de Palma adaptou o programa "Missão: Impossível" para o cinema, com Tom Cruise como protagonista. O foco do longa era o mesmo da obra original: espionagem. Em "Missão: Impossível 2", de 2000, o diretor John Woo decidiu focar nas cenas de ação. Já J.J. Abrams, em 2006, decidiu, na sequência, se aprofundar nos dramas pessoais do personagem de Cruise, Ethan Hunt. Com três filmes, deu para perceber que a franquia não sabia para que caminho seguir. Em 2011, o diretor Brad Bird, em "Missão: Impossível- Protocolo Fantasma" decidiu focar no trabalho em equipe, ao mesmo tempo que mostrava cenas de ação ousadas e com um toque de espionagem. Até então era o filme com o melhor equilíbrio.
Mas foi só em 2015, com o diretor Christopher McQuarrie, que a franquia finalmente encontrou seu rumo. Nem acho que esse seja o modo adequado de falar, pois mesmo tendo 5 diretores diferentes em cinco filmes, não é como se os longas-metragens fossem ruins, porém, foi McQuarrie que entendeu tudo o que funcionava na franquia até então e e elevou em "Missão: Impossível- Nação Secreta". Espionagem, grandes cenas de ação, desenvolvem os dramas pessoais de Ethan Hunt sem esquecer de trabalhar a equipe. O diretor ainda conseguiu levar esses filmes para o seu auge em "Missão: Impossível- Efeito Fallout", de 2018, sendo considerado por muitos um dos maiores filmes de ação da década.
 |
| Tom Cruise em "Missão: Impossível" (1996) |
Entretanto, nem tudo são flores. A pandemia de 2020 fez a produção do sétimo longa atrasar, fazendo o filme custar US$ 291 milhões. O fato de terem colocado para estrear no mesmo mês que "Oppenheimer" e "Barbie" também não ajudou, e arrecadou mais de US$ 570 milhões, o que é bastante para um filme de ação, mas péssimo para o orçamento que teve. "Missão: Impossível- Acerto de contas parte um", de 2023, tem ligação direta com o o último longa lançado esse ano. O filme mostra Ethan Hunt enfrentando um homem misterioso do seu passado, que ao lado da inteligência artificial chamada Entidade, podem ameaçar toda a humanidade. Eu particularmente adoro esse pois, mesmo eu não gostando muito dos antagonistas, ele acerta em todos os pontos que McQuarrie é ótimo em trabalhar. Mas o seu fracasso comercial impactou em diversas decisões em relação a sequência, incluindo mudar seu nome de "Missão: Impossível- Acerto de contas parte dois" para "Missão: Impossível- O acerto final", indicando que realmente poderia ser o último da franquia.
"Missão: Impossível- O acerto final" também teve seu orçamento prejudicado graças a greve dos roteiristas e dos atores de Hollywood, em 2023, atrasando a produção, com o seu custo indo quase para US$ 400 milhões. Honestamente? Como esse aparenta ser o último filme da franquia, acho que ninguém da produção realmente esteja preocupado com os lucros desse, muito menos eu, que só me importo se faz jus aos anteriores ou não. Aqui, Ethan continua tentando acabar com a Entidade, mas agora com a pressão do governo dos Estados Unidos e do futuro da humanidade em suas mãos.
 |
| Tom Cruise em "Missão: Impossível- O acerto final" (2025) |
Esse oitavo longa é o mais grandioso em relação a ameaça. A Entidade é uma ameaça nível global que mexe com algoritmos de internet e armas nucleares. Mas essa grandeza, pelo menos no inicio, só significa bagunça. O longa enfia um monte de informação, personagem, flashback, com zero profundidade. Logo na primeira cena, com Angela Basset como presidente dos Estados Unidos e enviando uma mensagem para Ethan sobre como ele fez muito pela a nação e por isso ele precisa tomar a decisão certa, é usado cenas dos filmes anteriores para relembrar seus feitos. Uma maneira nostálgica de mostrar que essa deve ser a última aventura de Hunt, mas acaba sendo brega, com o único propósito de emocionar o público e ainda quebra o ritmo da cena. Não satisfeitos, eles começam a tentar fazer conexões com esses filmes mais antigos. Desde uma arma química que aparece em “Missão: Impossível 3” a uma conexão de um personagem com o vilão do filme de 1996, são elementos enfiados de maneira artificial, que utilizam um discurso de “tudo sempre esteve conectado para chegar a esse momento”, mas o único sentimento que eu tinha era de que eu estava vendo algum filme da Marvel, que fica tentando criar ligações em seus filmes para o propósito de criar grandes eventos cinematográficos. Para eu não soar tão amargurada, eu gosto de como inseriram o personagem do ator Rolf Saxon, que pode até não ter tido tanto destaque no primeiro longa da franquia, mas foi fundamental no terceiro ato aqui.
O mais irritante no primeiro ato é essa necessidade de apontar que o Ethan é predestinado, que tudo que aconteceu nos filmes anteriores foi importante para chegar nesse momento, e nos diversos flashbacks que inseriam na montagem e que quebravam o ritmo das cenas. Eu só comecei a realmente a me conectar com a trama quando núcleos dos personagens foram formados, já que aí o longa encontrou espaço para desenvolvê-los.
Tom Cruise, Hayley Atwell, Simon Pegg, Pom Klementieff e Greg Tarzan Davis em "Missão: Impossível- O acerto final" (2025)
|
Eu considero, desde “Missão: Impossível- Potocolo Fantasma”, que o elenco coadjuvante passou a dar um charme para esses filmes. Nesse daqui, todos tem seu momento de destaque, o núcleo com os personagens Benji, Grace, Paris e Degas é cativante o suficiente para sobreviver sem o personagem do Ethan por perto (por mais que eu não suporte as caras e bocas forçadas da intérprete de Grace, Hayley Atwell, considero um erro do McQuarrie substituir a personagem da Rebecca Furgeson por ela). Angela Basset tem carisma o suficiente para sustentar o foco narrativo do governo dos Estados Unidos desesperado para tomar uma solução em relação a Entidade, e eu até gosto dos outros atores que estavam nesse núcleo, por mais que eu não tenha entendido o propósito do destaque ao Nick Offerman em alguns momentos. O Ethan Hunt de Tom Cruise precisa encontrar algumas pessoas durante sua jornada para cumprir seu objetivo. Umas delas foi interpretada Hannah Waddingham, e por mais que fosse estranho a tentativa de conexão dela com a personagem da Basset, ela esteva ótima em cena. Mas quem rouba a cena mesmo é a equipe do submarino que Hunt precisa usar, com destaque especial para o ator Tramell Tilman, que toda vez que abria a boca tirava um sorriso sincero do meu rosto.
Os antagonistas não já não me atraíram em “Missão: Impossível- acerto de contas parte um”, e aqui continuaram desse jeito. O Gabriel de Esai Morales, no antecessor, era um personagem que se levava a sério de mais, e tinha todo um suspense em relação ao passado dele com o Ethan, algo que a trama nunca explorou, e ,honestamente, eu nem senti falta. Nessa sequência, decidiram deixar o vilão menos sério, mas isso o levou a ele ficar mais caricato e cheio de frases de efeito repetitivas. A Entidade também nunca me chamou atenção, eu achava tudo que girava em torno deles bem cansativo, já que sempre falavam as mesmas coisas sobre, já dava pra entender o quão ameaçadores eram, não precisavam repetir o tempo todo e deixar tudo expositivo. Mas a discussão sobre inteligência artificial que o longa gerou durante a trama é bem interessante, principalmente no contexto atual do mundo. Gosto muito do monólogo final do personagem Luther (esse inclusive, que não merecia o fim que teve) falando sobre nós sermos responsáveis pelo nosso destino e que nenhuma inteligência artificial deve controlar isso. Me lembrei de “Top Gun: Maverick”, com o personagem do Tom Cruise querendo mostrar que os pilotos com o senso humano estão acima de qualquer tecnologia. É bom saber que tem um grande astro de Hollywood lutando contra inteligência artificial, mesmo que na maioria das vezes só na trama de seus filmes.
Claro que não dá para falar de “Missão: Impossível” sem falar das cenas de ação. Tom Cruise provavelmente já fez de tudo: escalar um penhasco, se pendurar no prédio mais alto do mundo, se pendurar em um avião, se pendurar em um helicóptero, andar em cima de um trem em movimento… E aqui, ele continuou indo ao limite com uma sequência no submarino que é o momento mais eletrizante do filme, e uma cena em que ele precisa subir em um avião, que mesmo eu considerando-a longa até demais, faz a gente sentir a adrenalina perante a urgência da situação. São o auge do entretenimento, não tem como não se divertir com as cenas de ação desse longa.
 |
| Tom Cruise em "Missão: Impossível- O acerto final" (2025) |
O oitavo filme de "Missão: Impossível" mostra que ambição demais pode prejudicar uma narrativa. Mas com personagens cativantes e com cenas de ação eletrizantes, o longa encontra seu caminho para encerrar um ciclo de 30 anos de uma das melhores franquias de ação de Hollywood.
Nota: 3,5/5
Comentários
Postar um comentário