"Quarteto Fantástico- Primeiros Passos" tem um visual encantador, mas pouco charme no elenco
Terceira tentativa de adaptação do grupo para os cinemas aparece pela primeira vez no universo compartilhado da Marvel
![]() |
| Divulgação: Marvel Studios |
Uma das equipes mais famosas das histórias em quadrinhos da Marvel, Quarteto Fantástico foi a terceira equipe e a primeira família criada pela editora, nos anos 60. Formada pelo Senhor Fantástico, pela Mulher-Invisível, pelo Tocha Humana e pelo Coisa, o grupo foi receber sua primeira tentativa de adaptação nos anos 90, quando uma produtora alemã comprou os diretos da Marvel, e mesmo produzindo um filme com pouco orçamento e tempo, o longa nunca chegou a ser lançado de forma oficial. Depois do sucesso da franquia “X-Men”, também da Marvel, nas mãos da 20th Century Studios, o estúdio decidiu produzir uma versão de grande orçamento da equipe, lá nos anos 2000, com nomes como Jéssica Alba e Chris Evans no elenco. A produção chegou a ganhar uma sequência, mas a franquia nunca chegou longe graças a recepção mista do público. Em 2015, a 20th Century Studios tentou mais uma vez adaptar essa família heroica nos cinemas, trabalhando com uma versão sombria e realista dos personagens e com Miles Teller e Michael B. Jordan no elenco. A produção foi um fracasso de crítica e público.
Depois de anos de tentativa, uma das equipes mais interessantes da Marvel recebeu mais uma chance. Agora inserido no Marvel Cinematic Universe, MCU, após a Disney comprar a 20th Century Studios. O diretor Matt Shakman, que anteriormente trabalhou na Marvel em “Wandavision”, assumiu a direção com o elenco estrelar composto por Pedro Pascal como Senhor Fantástico, Vanessa Kirby como Mulher-Invisivel, Joseph Quinn como Tocha Humana e Ebon Moss-Bachrach como Coisa. A grande pergunta é: depois de mais de duas décadas tentando, será que um dos grupos mais importantes da editora finalmente conseguiu emplacar nos cinemas?
![]() |
| Primeira história dos personagens, em 1961 |
“Quarteto Fantástico- Primeiros Passos” trabalha com uma proposta diferente de outras produções do MCU. O longa se passa em outra realidade no multiverso da Marvel, que tem várias realidades paralelas. Esse filme também não tenta contar a história de origem da equipe. Assim como “Homem Aranha: de volta ao lar”, de 2017, “The Batman”, de 2022, e o lançamento anterior de super-heróis desse ano, “Superman”, o longa não se trata sobre contar a origem dos poderes dos personagens. Na cena inicial, há uma comemoração de quatro anos do Quarteto, na qual se tem uma montagem de retrospectiva da jornada dos heróis até se tornarem quem são, que ganharam poderes após uma viagem cósmica mal sucedida e que decidiram usar seus poderes para ajudar as pessoas. Isso foi feito de maneira eficiente na abertura.
Como citado antes, esse filme se passa em um universo diferente, então existe diversas escolhas visuais que mostram como essa realidade é diferente da tradicional do MCU. Tanto o figurino e direção de arte escolhem uma estética dos anos 60 futurista, uma decisão interessante, já que as histórias originais da equipe surgiram justamente nesse período. Essa escolha criativa se mostra acertada, já que o contraste de cores vintage o torna um dos filmes mais bonitos visualmente do universo da Marvel. Uma outra decisão interessante foi a de como exploraram a fama do grupo. Eles não são só heróis, são celebridades, aparecem em revistas, ganham brinquedo e seriado animado, e isso é algo fundamental para a trama, já que mostra o impacto positivo e negativo que tem sobre eles.
Porém, mesmo que o filme seja um triunfo visualmente, o mesmo não pode constar na dinâmica do elenco. A grande questão que o filme trabalha é sobre família e sacrifícios. Eles antes de serem heróis, eram marido, esposa, irmão, melhor amigo um do outro. Eles não só precisam enfrentar Galactus, um ser cósmico interpretado por Ralph Ineson que devora planetas, eles precisam enfrentar o medo de perder tudo o que conhecem. Não era só o mundo que estava em risco, a dinâmica familiar deles também. O problema é que a falta de sincronia do elenco não dava para sentir que eles realmente significavam tanto um para o outros. Eles não tinham um entrosamento que faça você sentir a urgência da situação, ou até mesmo a química entre eles. O melhor exemplo é o da dupla Tocha Humana e Coisa, dois personagens que adoram se provocar, e mesmo com várias cenas deles sendo escritas de maneiras cômicas, elas parecem ser completamente esquecíveis, não pela escrita ruim, mas pela falta de química. A dinâmica do elenco, no geral, não tem charme.
![]() |
| Pedro Pascal, Vanessa Kirby, Joseph Quinn e Ebon Moss-Bachrach em "Quarteto Fantástico- Primeiros Passos" |
A melhor personagem do filme é facilmente a Mulher-Invisível. Interpretada pela Vanessa Kirby, Sue é o elo emocional do filme. Um dos dramas principais do longa surgem por causa dela, que precisa torna decisões importantes e também é a que tem o emocional mais abalado durante a trama. Kirby consegue trazer a carga dramática que a personagem precisa, ao mesmo tempo que é cativante. Ela está tão bem, que o todo o elenco aparenta ter sincronia com ela, a atriz consegue convencer de que existe uma dinâmica familiar minimamente boa ali. Ela também tem uma boa química com o Pedro Pascal como Senhor Fantástico, e por mais que o ator estivesse fazendo na maioria das vezes as mesmas caras e bocas, no fim ele consegue trabalhar bem com a melancolia do personagem, um cientista que se culpa por fazer as pessoas que ele ama terem tido suas vidas alteradas por poderes cósmicos. Por mais que no geral, o Tocha Humana tenha sido um personagem com desenvolvimento interessante, boa parte dele em volta da personagem Surfista Prateada, capanga do vilão Galactus interpretada por Julia Garner, o ator Joseph Quinn não tinha carisma suficiente para interpretar um galã que sofre por todos o acharem superficial e que tenta provar o seu valor. Ele foi ator que estava mais deslocado no filme, pois eu não conseguia sentir veracidade em nada do que ele fazia. O Coisa de Ebon Moss-Bachrach é charmoso, mas sofre com a falta de tempo de tela, o que é uma pena, pois ele era o que tinha mais potencial de desenvolvimento, já que ele foi o que mais foi afetado após ganhar os poderes, mas parecia que ele só era lembrado para ser alívio cômico na maior parte do tempo.
Mesmo sendo um filme belo aos olhos, a direção de Matt Shackman aparenta ser muito protocolar, não é ruim, só é básica demais para todo o potencial em tela. Pelo menos a trilha sonora de Michael Giacchino é marcante o suficiente para dar mais personalidade ao filme.
“Quarteto Fantástico- Primeiros Passos” é o maior triunfo em tela da equipe, com uma direção de arte encantadora que acerta em apostar no retro futurismo. Mas mesmo com um drama familiar interessante, a falta de sincronia do elenco faz o filme ter a sensação de que algo está faltando em tela. Vamos ver se isso pode mudar com a aparição do grupo em “Vingadores: Doosday”, em 2026, pois no fim, como a cena pós-créditos mostrou, a Marvel sempre vai estar mais focada em trabalhar seu grande filme evento, do que em aproveitar para desenvolver o simples que tem em mãos.
Nota: 3,5/5





Comentários
Postar um comentário