"Wicked: Parte 2" sofre ao ficar preso nas sombras de "Wicked" e de "O mágico de Oz"
Conclusão do famoso musical da Broadway, o longa mostra as consequências de depender demais de um elenco carismático e de bons números musicais
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| Reprodução: Universal Pictures |
Ano passado, o mundo foi convidado a embarcar em uma jornada para Oz para assistir "Wicked", adaptação de um musical da Broadway. O longa recebeu nove indicações ao Oscar, vencendo Melhor Figurino e Melhor Design de Produção, além de ser um sucesso de bilheteria.
No teatro, a historia é conhecida por ser dividida em dois atos, e no cinema decidiram fazer a mesma coisa. O que foi lançado no ano passado foi a adaptação do primeiro ato da peça, e esse ano, "Wicked: Parte 2" se trata do segundo ato do musical.
Enquanto o primeiro ato mostrava uma jornada de amadurecimento da Elphaba para entender sua posição no mundo, no segundo ato lidamos com as consequências das ações não só da Elphaba, mas também da Glinda, e do impacto da amizade delas em cada uma. Mas será que a segunda parte consegue manter o nível da primeira?
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| Ariana Grande e Cynthia Erivo em "Wicked: Parte 2" (2025) |
Para começar, eu me divirto muito com a proposta de "Wicked" em ser uma grande fanfic de "O mágico de Oz". Pensar que a Bruxa má do Leste teve um relacionamento com o Homem de Lata, a Bruxa má do Oeste teve um relacionamento com o Espantalho e a Glinda e a Bruxa má do Oeste não só eram amigas de longa data como elas também se amavam é hilário. Porém, no primeiro filme a mitologia de "O mágico de Oz" não afetava tantos os eventos, mas nesse longa de agora, é extremamente importante. Mesmo assim, o filme tem um problema de admitir isso. A Dorothy é uma personagem fundamental para a trama, mas mesmo assim o rosto dela nem aparece. Eu não me importo se isso é um problema que já vem da peça, isso só faz com que exista um grande buraco na trama do musical, é como se exigisse que o público já tivesse um conhecimento prévio, já que ele não explica como surgiu a amizade do Leão Covarde, Espantalho, Homem de Lata e Dorothy, mesmo sendo essencial para a história e não possuindo destaque algum. A gente só se importa com a Dorothy pois já sabemos previamente o que ela irá fazer. Se uma obra fica tão dependente de outra que nem é considerada cânone, então seu filme falhou no desenvolvimento.
Na verdade, desenvolvimento não é forte de "Wicked", e isso é um problema que já surge no primeiro filme e só se intensifica aqui. Os maiores exemplos são os relacionamentos de Elphaba (Cynthia Erivo) com Glinda (Ariana Grande) e Fiyero (Jonathan Bailey) que são completamente dependentes da química dos atores de boas músicas. A Elpaba e a Glinda se odiavam, fazem as pazes, cantam "Popular", vão conhecer o Mágico e já se separam. Elphaba e Fiyero tiveram três interações para ela perceber que estava apaixonada pelo namorado da melhor amiga.
O pior é que o relacionamento dela com o Fiyero é mais convincente, o que não deveria ocorrer, já que um dos principais focos do longa é justamente na amizade da Elphaba e da Glinda. A gente entende de onde vem o amor deles, a Elphaba não se entrega logo de cara, a gente vê as inseguranças dela ao estar com ele. O número musical deles, "As long as You're mine" é um dos melhores graças a química deles, a qualidade da música e se ser um dos poucos momentos do longa em que eu consigo ver a cara dos atores (vou falar melhor sobre isso em breve...). A gente vê tudo que o Fiyero faz por ama-lá, então no fim, mesmo sendo raso, é convincente.
Já o relacionamento de Elphaba com a Glinda... é vendido como uma grande amizade, mas é tão mal trabalhado que dá raiva. No primeiro filme isso já demonstra ser um problema, pois mal tivemos momentos delas sendo amigas, mas era perdoável graças a química de Erivo com Grande, mas nesse filme a Glinda toma atitudes tão ruins que fica difícil de acreditar que ela amava a Elphaba. Ela apoia um governo com tendências fascistas que perseguem os animais falantes, os obrigando a fugir de Oz, deixa o Mágico difamar a Elphaba, mesmo sabendo que ela era uma boa pessoa. Tudo isso por conta de ter uma boa reputação. Isso só piora quando a gente vê que o Fiyro só aceitou trabalhar para o Mágico pois isso o ajudaria a encontrar a Elphaba, e ele realmente cumpriu com as suas palavras, então no fim, a Glinda só é uma covarde. E eles tentam disfarçar o mal caratismo da personagem, napão fazendo ela questionar suas atitudes, mas tentando passar pano para ela através do carisma de Ariana Grande, de cenas de flashback na infância e de um novo número musical, "The girl in The Bubble", que não só é chato, como é patético.
Quando chega no dueto final, "For good", eu já estava quase revirando o olho. Mas depois eu até gostei, pois compreendi que a Glinda finalmente ia ter boas atitudes graças a influência de Elphaba em sua vida, o que também não é tão convincente quando se lembra que ela só decidiu ter boas atitudes depois de sofrer as consequências dos seus atos. A grande questão é que esse filme quer vender que essa grande amizade é muito importante para as duas, mas tirando a química adas atrizes não tem nada.
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| Ariana Grande em "Wicked: Parte 2" (2025) |
Por outro lado, a Elphaba é a melhor coisa do filme. Ela é uma personagem cativante, a Cynthia Erivo está ótima nos números musicais e a trajetória da protagonista é interessante. Ela faz de tudo para lutar pela justiça em Oz, pelos diretos dos animais, porém partir do momento que ela perde apoio desse grupo perseguido, que só quer sobreviver, e perde todas as pessoas que ela ama, ela entende que nada do que ela faça fará com que as pessoas percebam as mentiras do Mágico, ela só conseguirá atingir seus objetivos se ela se tornar quem Oz acha que ela é: uma Bruxa má. O novo número musical "No Place Like Home" conseguiu trazer não só mais profundidade para a Elphaba, mas também para a trama dos animais oprimidos.
O filme tem números musicais bem legais no geral, como esse que eu citei agora, "As long as You're mine", "Wonderful", "March of The witch hunters", "No good deed". "For good" conseguiu me surpreender, mas o resto é completamente esquecível.
A iluminação do longa continua sendo um desastre em vários momentos. O diretor Jon M. Chu continua com a mesma mania do primeiro filme de tentar fazer o musical ser realista. A cena de "Wonderful" não foi afetada por ser bastante colorida, e "As long as You're mine", por ser passar a noite, estava bem iluminada, mas qualquer cena de dia ao ar livre era péssima. "No good deed" é a que mais chama atenção, pois sofre com o mesmo problema de "Defyng Grevity", do filme anterior, pois ambas dependem o talento de Erivo, pois eu não conseguia enxergar nada em cena. Tiravam a câmera de perto dela nos momentos mais importantes e tudo em volta dela nos cenário era feio. E esse é um problema que reflete no figurino, mesmo que no geral fosse bonito e colorido, tudo que a Glinda usava parecia desbotado.
No mais, o visual das transformações de Boq e Fiyero eram impressionantes, mesmo que eu tenha sentido que a do Boq tenha sido rápida demais. O elenco no geral está bom, mas saber que a Michelle Yeoh não queria fazer esse filme por não saber cantar me dá mais raiva do diretor por ter escalado ela. A reviravolta sobre a paternidade da Elphaba é tão esquecivel que nem merece comentários a mais.
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| Cynthia Erivo e Jonathan Bailey em "Wicked: Parte 2" (2025) |
"Wicked: Parte 2" diverte, tem momentos memoráveis, protagonistas carismáticas e boas músicas, mas sofre com a falta de desenvolvimento e com a falta de sensatez do diretor. O longa não só fica preso à sombra de "O mágico de Oz" e de "Wicked", como também fica preso ao próprio potencial desperdiçado.
Nota: 3,5/5





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