"Avatar: o caminho da água" é um grande espetáculo visual
Divulgação: Disney
Sequência lançada 13 anos depois é ousada em relação aos efeitos visuais, porém é covarde ao ter uma historia tão clichê
Em 2009, o diretor James Cameron lançava o filme "Avatar", que além de bater recordes em bilheteria, surpreendeu os espectadores com sua tecnologia com uma imersão 3D. Porém, não foi um longa fácil de se produzir, já que Cameron escreveu o roteiro em 1994 e ficou o projeto parado pois, segundo o diretor, não existia tecnologia na época para o que ele imaginava para o filme. Cameron só decidiu tirar o projeto do papel depois que assistiu "Senhor dos Anéis: a Sociedade do Anel" (2001) e percebeu que a tecnologia necessária, a da captura de movimento, existia. Com "Avatar" se tornando a maior bilheteria da história e ganhando vários prêmios, não era difícil de se imaginar que iriam produzir uma sequência logo. Porém, mais uma vez o diretor decidiu esperar para produzi-la, pois queria ter certeza de que teria a tecnologia certa para o longa. E agora, após 13 anos, podemos saber se a espera valeu ou não.
Essa sequência mostra Jake Sully e Neytiri tentando proteger sua família de um velho inimigo, e indo atrás de outros clãs em outras partes da Lua para encontrarem abrigo, mas acabam levando a guerra com eles. O filme explora ainda mais Pandora, e o clã da água é uma das coisas mais interessantes do longa, com a aldeia tendo um visual belíssimo e de tirar o fôlego. E você não só se encanta com essa nova tribo e seus costumes , você também fica com vontade de conhecer ainda mais o universo de Pandora, o que deve acontecer nas próximas continuações.
Tuktirey, a caçula da familia Sully
Um dos maiores acertos dessa continuação foi o fato da trama ter colocado de lado o casal protagonista, Jake e Neytiri, e ter dado espaço para seus filhos roubarem a cena. São as crianças que exploram o clã da água com os espectadores, com grande curiosidade e brilho nos olhos. Todos são bem carismáticos, Lo'ak foi um dos que ganhou mais destaque, com aqueles clássicos dilemas adolescentes, onde o personagem fica querendo se provar para seu pai e acaba se metendo em encrenca. Neteyam é o típico irmão mais velho que sofre a pressão para ser um exemplo para seus irmãos. Kiri, a mais legal deles, é a adolescente que se sente deslocada da família e a Tuktirey é a caçula encantadora. Mesmo sendo todos bem clichês, os personagens conseguem ser interessantes e cativantes, e até bem mais legais que seus pais.
O único problema em relação a esse núcleo foi o desenvolvimento da Kiri. Tudo começa com o fato dela ser interpretada pela atriz Sigourney Weaver, que também interpretou a Doutora Grace Augustine no primeiro filme. O longa dá a entender que existe uma conexão entre Niki e Grace, algo até como mãe e filha, porém é muito mal explicado e confuso. Imagino que deve ser melhor explorado no terceiro filme, mas ainda assim, essa parte da trama ficou com um buraco nesse filme.
Outro problema dessa sequência é ela se prender ao vilão do primeiro filme. Óbvio que os humanos continuam sendo a maior ameaça, porém não satisfeitos, a continuação traz de volta o vilão do primeiro filme, o Coronel Miles Quaritch- num novo corpo já que ele havia morrido no primeiro longa. É legal acompanhar essa busca de vingança do personagem, porém quando chega no final do filme, o diretor toma uma decisão em relação ao Miles que tira muito da emoção do longa. Parece que ele ficou preso a esse personagem, e vai tentar empurrá-lo até quando já não tiver mais justificativa para trazê-lo de volta.
Kiri

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