"Carrie Soto está de volta", de Taylor Jenkins Reid
A escritora Taylor Jenkins Reid vem sendo a queridinha dos leitores atualmente, graças aos livros "Malibu Renasce", "Daisy Jones and the six" e "Os sete maridos de Evelyn Hugo", sendo o último o mais famoso deles. Porém, todo esse sucesso nunca tinha me despertado interesse em ler algo da autora, até agora. Eu decidi dar uma chance ao seu mais recente lançamento, "Carrie Soto está de volta", e posso dizer que comecei da melhor maneira possível.
O livro conta a historia de Carrie Soto, uma tenista que se aposenta após atingir um recorde imbatível: vinte títulos Grand Slam conquistados ao longo da sua carreira. Mas apenas cinco anos depois de seu retiro das quadras, ela assiste Nicki Chan igualar sua marca, trazendo a sensação de que seu legado está comprometido. Então, aos 37 anos, ela decide voltar a competir, contando com a ajuda do seu pai Javier, que a treina desde os dois anos de idade.
Uma coisa que me impressionou é o quanto a escrita da Taylor é envolvente. A autora desde o inicio explica todas as regras do tênis, como funciona a pontuação e o tempo de cada jogo. E mesmo não entendendo muito bem, eu fiquei vidrada nas partidas de tênis descritas no livro, pois eram muito interessantes e emocionantes. A escritora criou em seus livros um universo compartilhado da celebridades, onde cada livro conta a historia de uma personagem famosa, e todos os eles possuem uma conexão. Em "Daisy Jones and the six" ela fala de uma banda famosa, e em "Os sete maridos de Evelyn Hugo" ela mostra a vida de uma atriz de Hollywood, e mesmo só tendo lido "Carrie Soto está de volta", posso dizer que todo esse universo da fama é muito bem feito. Você realmente compra a ideia de que aquelas pessoas podiam ter existido, parecia que eu estava lendo uma biografia, de tão bem detalhada que é. Outro fator que deixa a leitura interessante são os trechos do livro que são comentários de uma revista ou discussões de comentaristas esportivos. Isso ajuda a construir a atmosfera do livro.
O desenvolvimento da Carrie é muito bem feito. A primeira aparição da personagem em um livro da Taylor foi em "Malibu Renasce", onde ela era uma mulher que teve um caso com um dos protagonistas do livro, e estruindo o casamento dele. A Carrie, mesmo sendo uma tenista talentosa, é uma pessoa complicada. Ela é super sincera, o que faz ela ter atitudes arrogantes, e seja odiada pela mídia e por suas adversárias. Ela também não sabe lidar muito bem com seus sentimentos, não sabe aceitar a derrota e muito menos demonstrar afeto pelas pessoas que ela se importa. Tinha tudo para ser uma daquelas protagonistas insuportáveis, mas a escrita da Taylor favorece para isso não acontecer. O faz a Carrie ser uma boa personagem é justamente o fato dela não ser perfeita. Ela não tenta agradar ninguém a sua volta, mas também é uma pessoa solitária, e ao longo da trama ela amadurece muito. A tenista já é bem mais velha do que ela era quando começou a competir, então ela tem uma nova perspectiva de diversas situações. A Carrie precisa aprender a lidar com o fato de que ela não tem o mesmo corpo de vinte anos atrás, e o fato dela perder alguns jogos não a faz ser uma tenista pior do que ela era.
Não que esse jeitinho da Carrie fosse um problema sempre. É sim importante ver ela tendo essa evolução, mas às vezes tudo que é preciso é esse jeito sincero dela. A tenista não está afim de agradar ninguém, não dá atenção para puxa saco e consegue lidar com a mídia da melhor maneira que ela pode. Claro, a Carrie reconhece que ela tinha varias atitudes terríveis no passado, mas isso não significa que ela vai ser obrigada a aturar a mídia machista dos anos 90 ( e a autora não utiliza isso para passar pano para as atitudes da tenista).
"Por melhor que eu fosse na quadra, isso nunca bastava para a opinião pública. Não bastava eu jogar um tênis quase perfeito. Eu precisava fazer isso e também ser simpática. E meu carisma teria que parecer uma coisa natural e sem esforço.
Não poderia parecer que eu estava tentando fazer as pessoas gostarem de mim. Ninguém poderia desconfiar de que eu queria a aprovação do público. Eu via o que a imprensa escrevia sobre jogadoras como Tanya McLeod, o desprezo que mostravam por ela porque tentava parecer fofinha. E eu sentia esse mesmo desprezo.
Mas pelo amor. Isso já era pedir demais."
As outras relações da protagonista também são muito bem desenvolvidas. Javier, seu pai, é muito simpático, e sempre demonstra estar do lado da Carrie. Claro, foi o responsável por fazer a tenista ser essa pessoa competitiva e obsessiva em ser a melhor, mas o próprio reconhece esse "erro" e tenta ajuda-la a superar todos esses desafios. Eles possuem uma relação linda. A Nicki Chan também é uma ótima personagem, justamente pela quebra de expectativa que ela causa na protagonista. A Carrie julgava tanto as suas adversarias, que ver a Nicki sendo legal com ela a pegou desprevenida. Claro, a Nicki era uma fã, porém ela tem varias motivos para não gostar da Carrie, e prefere conhece-la antes de julgar seu caráter, criando uma amizade bem legal. E ao longo do livro, é legal vê como a Carrie começa se abrir para as pessoas em sua volta.
Taylor Jenkins Reid
No fim, eu realmente me surpreendi com o livro, e pretendo ler outros da autora. Inclusive, espero que ele ganhe uma adaptação, assim como os outros da Taylor vão ganhar. "Daisy Jones and the six" terá uma serie na Amazon Prime e "Os sete maridos de Evelyn Hugo" terá um filme na netflix.

Comentários
Postar um comentário